LILIA PERJURA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Voai, suspiros,

Nos vagos ares,

Único alívio

Dos meus pesares.

Fostes de Lilia

Agasalhados

Quando o quiseram

Benignos fados,

Quando em seus olhos,

Trono das Graças,

Tinham abrigo

Minhas desgraças.

Hoje ensurdece

A meus clamores,

Toma por crime

Ternos amores.

Olhos piedosos

Lhe vi alçar,

Fieis amores

Lhe ouvi jurar.

Foram nas asas

Dos mansos ventos.

Os mentirosos,

Seus juramentos.

Rival ditoso,

Tens mal seguros

De Lília os votos,

Votos perjuros.

Fragosas penhas,

Ermos rochedos,

Qu’outrora ouvistes

Nossos segredos,

Guardai o nome

De Lilia bela,

E os vãos suspiros

Que eu dou por ela.