Lira XX

By Tomás Antônio Gonzaga

Era uma frondosa

Roseira se abria

Um negro botão.

Marília formosa

O pé lhe torcia

Com a branca mão.

Nas folhas viçosas

A abelha enraivada

O corpo escondeu.

Tocou-lhe Marília,

Na mão descuidada

A fera mordeu.

Apenas lhe morde,

Marília gritando,

C’o dedo fugiu.

Amor, que no bosque

Estava brincando,

Aos ais acudiu.

Mal viu a rotura,

E o sangue espargido,

Que a Deusa mostrou;

Risonho beijando

O dedo ofendido,

Assim lhe falou:

“Se tu por tão pouco

“O pranto desatas,

“Ah! dá-me atenção;

“E como daquele,

“Que feres, e matas,

“Não tens compaixão?”