LIRIAL

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Porque choras assim, tristonho lírio,

Se eu sou o orvalho eterno que te chora,

P’ra que pendes o cálice que enflora

Teu seio branco do palor do círio?!

Baixa a mim, irmã pálida da Aurora,

Estrela esmaecida do Martírio;

Envolto da tristeza no delírio,

Deixa beijar-te a face que descora!

Fosses antes a rosa purpurina

E eu beijaria a pétala divina

Da rosa, onde não pousa a desventura.

Ai! que ao menos talvez na vida escassa

Não chorasses à sombra da desgraça,

Para eu sorrir à sombra da ventura!