Livre!

By Delminda Silveira de Sousa

Ribomba um hino de festa

desde o Palácio à senzala

acorda a virgem floresta

à voz que a nova propala!

Lá onde o escravo gemia,

aonde o pranto escondia

nas trevas da solidão,

como uma luz peregrina,

como uma aurora divina,

assomou a redenção!

Quantos soluços trocados

nos risos sãos d’alegria!

Quantos e quantos cuidados

destruídos num só dia!...

Eis a luz consoladora...

Eis, alfim, a meiga aurora

que o sonho horrendo desfez!

Eis o Brasil radiante

como um herói triunfante,

mil grilhões calcando aos pés!

Sobre o solo abençoado

em que ergueu Cabral a Cruz,

brilha agora desfraldado

o estandarte da luz!

Hosana à Pátria de bravos

que preconceitos ignavos

p’ra sempre altiva extirpou!

Exulte o brasílio povo,

que a Liberdade de novo

da pátria o solo beijou!

Que o Céu nas lúcidas galas,

que a onda beijando areia,

que a brisa em dúlcidas falas

cantem a grande epopeia!

Salve, salve, ó Pátria minha!

Ergue a fronte de rainha,

de luz e louros c’roada,

que a tua nobre vitória

honra a ínclita memória

de Rio Branco e de Andrada!