LIZONGEA O POETA A VASCO DE SOUZA FAZENDO EM SEU NOME ESTA LACRIMIMOSA NENIA.

By Gregório de Matos Guerra

Morreste, Ninfa bela,

na florescente idade:

nasceste para flor,

como flor acabaste.

Viu-te a Alva no berço,

a Véspora no jaspe,

mimo foste da Aurora,

a lástima da tarde.

O nácar, e os alvores

da tua mocidade

foram, se não mantilhas,

mortalha a teus donaires.

Oh nunca flor nasceras,

Se imitando-as tão frágil,

no âmbar de tuas folhas

te ungiste, e te enterraste.

Morreste, e logo Amor

quebrou arco, e carcases;

que muito se lhe faltas,

que logo se desarme?

Ninguém há neste monte,

ninguém naquele vale,

o cortesão discreto,

o pastor ignorante:

Que teu fim não lamente,

dando aos quietos ares

já fúnebres endechas,

já trágicos romances.

O eco, que responde

a qualquer voz do vale,

já agora só repete

meus suspiros constantes.

A árvore mais forte,

que gemia aos combates

do vento, que a meneia

ou do raio, que a parte,

Hoje geme, hoje chora

com lamento mais grave

forças da tua estrela

mais que a força dos ares.

Os Ciprestes já negam

às aves hospedagem,

porque gemendo tristes,

andam voando graves.

Tudo enfim se trocou,

montes, penhas, e vales,

o penedo insensível,

o tronco vegetável.

Só eu constante, e firme

choro o teu duro transe,

o mesmo triste sempre

por toda a eternidade.

Ó alma generosa,

a quem o Céu triunfante

usurpou a meus olhos

para ser lá deidade.

Aqui onde o Caípe

já te erigiu altares

por Deusa destes montes,

e por flor destes vales:

Agrário o teu Pastor

não te forma de jaspes

sepulcro a tuas cinzas

túmulo a teu cadáver.

Mas em lágrimas tristes,

e suspiros constantes

de um mar tira dois rios,

de um rio faz dois mares.