LOBO NÃO MATA LOBO

By José Joaquim Correia de Almeida

Se é perverso o funcionário

De elevada jerarquia,

Temos toda a garantia

No supremo tribunal.

Porventura o presidente

Que se diz prevaricou,

Corretivo não achou

Que o fizesse arripiar?

Se não achou corretivo,

Procure bem que o há de achar;

Onde ele costuma estar

É nas páginas da lei.

Porventura o magistrado

Que seus despachos vendeu

A condenação não leu

De seus crimes no alto foro?

Se a condenação não leu,

Soletre bem que há de ler;

Para não se corromper

’Stá toda em letra redonda.

Se até os dias presentes

Um exemplo não se dá,

Que mostre que penas há

Contra o funcionário réu;

Nem por isso se conclua,

E nem se tire ilação

De não haver punição

Nos capítulos do código.

É que o reto julgador

As razões de pró e contra

Na fiel balança encontra

Em equilíbrio perfeito.

E neste caso o juízo

Está de antemão lavrado,

E o réu apatrocinado

Pelo Doutor Agostinho.

Eis a norma da sentença

Que no tribunal se observa;

— Pelo cálc’lo de Minerva

O lobo não mata lobo. —