LOBO NÃO MATA LOBO
Se é perverso o funcionário
De elevada jerarquia,
Temos toda a garantia
No supremo tribunal.
Porventura o presidente
Que se diz prevaricou,
Corretivo não achou
Que o fizesse arripiar?
Se não achou corretivo,
Procure bem que o há de achar;
Onde ele costuma estar
É nas páginas da lei.
Porventura o magistrado
Que seus despachos vendeu
A condenação não leu
De seus crimes no alto foro?
Se a condenação não leu,
Soletre bem que há de ler;
Para não se corromper
’Stá toda em letra redonda.
Se até os dias presentes
Um exemplo não se dá,
Que mostre que penas há
Contra o funcionário réu;
Nem por isso se conclua,
E nem se tire ilação
De não haver punição
Nos capítulos do código.
É que o reto julgador
As razões de pró e contra
Na fiel balança encontra
Em equilíbrio perfeito.
E neste caso o juízo
Está de antemão lavrado,
E o réu apatrocinado
Pelo Doutor Agostinho.
Eis a norma da sentença
Que no tribunal se observa;
— Pelo cálc’lo de Minerva
O lobo não mata lobo. —