Louco de paixão

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando Maria, a linda flor da aldeia,

Fechou os olhos para nunca mais

Abri-los neste mundo, a lua cheia

Era uma floração de roseirais.

Houve um rumor de pranto em toda a aldeia;

E a vizinhança repetia, aos ais:

Ah! jamais ouviremos a sereia

Que cantava a toda hora uns madrigais...

E quando amanheceu (que manhã bela!)

Ei-la deitada num caixão estreito,

De mãos cruzadas sobre o frio peito!

Com certeza, ao clarão do sol a pino,

Levá-la-iam, assim, ao Deus-Menino,

Que andava louco de paixão por ela!