Louco de paixão
Quando Maria, a linda flor da aldeia,
Fechou os olhos para nunca mais
Abri-los neste mundo, a lua cheia
Era uma floração de roseirais.
Houve um rumor de pranto em toda a aldeia;
E a vizinhança repetia, aos ais:
Ah! jamais ouviremos a sereia
Que cantava a toda hora uns madrigais...
E quando amanheceu (que manhã bela!)
Ei-la deitada num caixão estreito,
De mãos cruzadas sobre o frio peito!
Com certeza, ao clarão do sol a pino,
Levá-la-iam, assim, ao Deus-Menino,
Que andava louco de paixão por ela!