Loucura de amor

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Num funéreo caixão vejo-a em paz, sossegada...

E o seu vestido branco é leve como a pluma

De uma garça que vem, na tarde perfumada.

Rever, saudosamente, o espírito na espuma.

Das moças do lugar era a mais delicada!

Que boca virginal! E olhos assim, nenhuma

Outra moça possuía! Era a flor na esfolhada

Do milho e era, na praia, em maio, a graça, em suma.

“De todo esse redor, chamavam-na bondade”,

Exclamou um rapaz, em cujo olhar pairava

Uma funda expressão de dor e de saudade.

E, momentos depois, ao largo mar calado,

Desesperadamente, o Antônio se atirava...

E o céu, aberto em luz, floria, constelado!