Lubricidade

By João da Cruz e Sousa

Quisera ser a serpe venenosa

Que dá-te medo e dá-te pesadelos

Para envolverem, ó Flor maravilhosa,

Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.

Quisera ser a serpe veludosa

Para, enroscada em múltiplos novelos,

Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa

E babujá-los e depois mordê-los...

Talvez que o sangue impuro e flamejante

Do teu lânguido corpo de bacante,

Da langue ondulação de águas do Reno

Estranhamente se purificasse...

Pois que um veneno de áspide vorace

Deve ser morto com igual veneno...