LVI

By Cláudio Manuel da Costa

Tu, ninfa, quando eu menos penetrado

Das violências de Amor vivia isento,

Propondo-te então bela a meu tormento,

Foste doce ocasião de meu cuidado.

Roubaste o meu sossego, um doce agrado,

Um gesto lindo, um brando acolhimento

Foram somente o único instrumento,

Com que deixaste o triunfo assegurado.

Já não espero ter felicidade,

Salvo se for aquela, que confio,

Por amar-te, apesar dessa impiedade.

Em prêmio dos suspiros, que te envio,

Ou modera o rigor da crueldade,

Ou torna-me outra vez meu alvedrio.