LVII

By Cláudio Manuel da Costa

Bela imagem, emprego idolatrado,

Que sempre na memória repetido,

Estás, doce ocasião de meu gemido,

Assegurando a fé de meu cuidado.

Tem-te a minha saudade retratado;

Não para dar alívio a meu sentido;

Antes cuido; que a mágoa do perdido

Quer aumentar co’a pena de lembrado.

Não julgues, que me alento com trazer-te

Sempre viva na idéia; que a vingança

De minha sorte todo o bem perverte.

Que alívio em te lembrar minha alma alcança,

Se do mesmo tormento de não ver-te,

Se forma o desafogo da lembrança?