LVIII

By Cláudio Manuel da Costa

Altas serras, que ao Céu estais servindo

De muralhas, que o tempo não profana,

Se Gigantes não sois, que a forma humana

Em duras penhas foram confundindo?

lá sobre o vosso cume se está rindo

O Monarca da luz, que esta alma engana;

Pois na face, que ostenta, soberana,

O rosto de meu bem me vai fingindo.

Que alegre, que mimoso, que brilhante

Ele se me afigura! Ah qual efeito

Em minha alma se sente neste instante!

Mas ai! a que delírios me sujeito!

Se quando no Sol vejo o seu semblante,

Em vós descubro ó penhas o seu peito?