LXIV

By Cláudio Manuel da Costa

Que tarde nasce o Sol, que vagaroso!

Parece, que se cansa, de que a um triste

Haja de aparecer: quanto resiste

A seu raio este sítio tenebroso!

Não pode ser, que o giro luminoso

Tanto tempo detenha: se persiste

Acaso o meu delírio! se me assiste

Ainda aquele humor tão venenoso!

Aquela porta ali se está cerrando;

Dela sai um pastor: outro assobia,

E o gado para o monte vai chamando.

Ora não há mais louca fantasia!

Mas quem anda, como eu, assim penando,

Não sabe, quando é noite, ou quando é dia.