LXIX

By Cláudio Manuel da Costa

Se à memória trouxeres algum dia,

Belíssima tirana, ídolo amado,

Os ternos ais, o pranto magoado,

Com que por ti de amor Alfeu gemia;

Confunda-te a soberba tirania,

O ódio injusto, o violento desagrado,

Com que atrás de teu olhos arrastado

Teu ingrato rigor o conduzia.

E já que enfim tão mísero o fizeste,

Vê-lo-ás, cruel, em prêmio de adorar-te,

Vê-lo-ás, cruel, morrer; que assim quiseste.

Dirás, lisonjeando a dor em parte:

Fui-te ingrata, pastor; por mim morreste;

Triste remédio a quem não pode amar-te!