LXVI

By Cláudio Manuel da Costa

Não te assuste o prodígio: eu, caminhante,

Sou uma voz, que nesta selva habito;

Chamei-me o pastor Fido; de um delito

Me veio o meu estrago; eu fui amante.

Uma ninfa perjura, uma inconstante

Neste estado me pôs: do peito aflito,

Por eterno castigo, arranco um grito,

Que desengane o peregrino errante.

Se em ti se dá piedade, ó passageiro,

(Que assim o pede a minha sorte escura)

Atende ao meu aviso derradeiro:

Lágrimas não te peço, nem ternura:

Por voto um desengano, te requeiro

Que consagres à minha sepultura.