LXVII

By Cláudio Manuel da Costa

Não te cases com Gil, bela serrana;

Que é um vil, um infame, um desastrado;

Bem que ele tenha mais devesa, e gado,

A minha condição é mais humana.

Que mais te pode dar sua cabana,

Que eu aqui te não tenha aparelhado?

O leite, a fruta, o queijo, o mel dourado;

Tudo aqui acharás nesta choupana:

Bem que ele tange o seu rabil grosseiro,

Bem que te louve assim, bem que te adore,

Eu sou mais extremoso, e verdadeiro.

Eu tenho mais razão, que te enamore:

E se não, diga o mesmo Gil vaqueiro:

Se é mais, que ele te cante, ou que eu te chore.