LXVIII

By Cláudio Manuel da Costa

Apenas rebentava no oriente

A clara luz da aurora, quando Fido,

O repouso deixando aborrecido,

Se punha a contemplar no mal, que sente.

Vê a nuvem, que foge ao transparente

Anúncio do crepúsculo luzido;

E vê de todo em riso convertido

O horror, que dissipara o raio ardente.

Por que (diz) esta sorte, que se alcança

Entre a sombra, e a luz, não sinto agora

No mal, que me atormenta, e que me cansa?

Aqui toda a tristeza se melhora:

Mas eu sem o prazer de uma esperança

Passo o ano, e o mês, o dia, a hora.