LXXI

By Cláudio Manuel da Costa

Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto amor o vencimento;

Sem saber, que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.

Que amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de amor isento;

Inda agora de amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia.

Ninguém de amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos; porque sinto,

Que me tem destinado estrago tanto.

De seu favor hoje as quimeras pinto:

Amor de uma alma é pesaroso encanto;

Amor de um coração é labirinto.