LXXIX

By Cláudio Manuel da Costa

Entre este álamo, ó Lise, e essa corrente,

Que agora estão meus olhos contemplando,

Parece, que hoje o céu me vem pintando

A mágoa triste, que meu peito sente.

Firmeza a nenhum deles se consente

Ao doce respirar do vento brando;

O tronco a cada instante meneando,

A fonte nunca firme, ou permanente.

Na líquida porção, na vegetante

Cópia daquelas ramas se figura

Outro rosto, outra imagem semelhante:

Quem não sabe, que a tua formosura

Sempre móvel está, sempre inconstante,

Nunca fixa se viu, nunca segura?