LXXV

By Cláudio Manuel da Costa

Clara fonte, teu passo lisonjeiro

Pára, e ouve-me agora um breve instante;

Que em paga da piedade o peito amante

Te será no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro,

Que nos braços da ninfa mais constante

Pude ver da fortuna a face errante

Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade

Divide o laço, com que a glória, a dita

Atara o gosto ao carro da vaidade:

E para sempre a dor ter n’alma escrita,

De um breve bem nasce imortal saudade,

De um caduco prazer mágoa infinita.