LXXVI

By Cláudio Manuel da Costa

Enfim te hei de deixar, doce corrente

Do claro, do suavíssimo Mondego;

Hei de deixar-te enfim; e um novo pego

Formará de meu pranto a cópia ardente.

De ti me apartarei; mas bem que ausente,

Desta lira serás eterno emprego;

E quanto influxo hoje a dever-te chego,

Pagará de meu peito a voz cadente.

Das ninfas, que na fresca, amena estância

Das tuas margens úmidas ouvia,

Eu terei sempre n’alma a consonância;

Desde o prazo funesto deste dia

Serão fiscais eternos da minha ânsia

As memórias da tua companhia.