LXXVII

By Cláudio Manuel da Costa

Não há no mundo fé, não há lealdade;

Tudo é, ó Fábio, torpe hipocrisia;

Fingido trato, infame aleivosia

Rodeiam sempre a cândida amizade.

Veste o engano o aspecto da verdade;

Porque melhor o vício se avalia:

Porém do tempo a mísera porfia,

Duro fiscal, lhe mostra a falsidade.

Se talvez descobrir-se se procura

Esta de amor fantástica aparência,

É como à luz do Sol a sombra escura:

Mas que muito, se mostra a experiência,

Que da amizade a torre mais segura

Tem a base maior na dependência!