LXXVIII

By Cláudio Manuel da Costa

Campos, que ao respirar meu triste peito

Murcha, e seca tornais vossa verdura,

Não vos assuste a pálida figura,

Com que o meu rosto vedes tão desfeito.

Vós me vistes um dia o doce efeito

Cantar do Deus de Amor, e da ventura;

Isso já se acabou; nada já dura;

Que tudo à vil desgraça está sujeito.

Tudo se muda enfim: nada há, que seja

De tão nobre, tão firme segurança,

Que não encontre o fado, o tempo, a inveja.

Esta ordem natural a tudo alcança;

E se alguém um prodígio ver deseja,

Veja meu mal, que só não tem mudança.