M. A.

By Emílio Nunes Correia de Meneses

É, sem tirar nem pôr, um grande jornalista.

Quando erra ou quer errar, erra com matemática.

Faz uma escaramuça e o jogo salta à vista

Mas não há quem resista à formidável tática.

Torce algebricamente a verdade e conquista

O aplauso até de quem tenha traquejo e prática.

Sei-o mesmo por mim que, apesar de trocista,

Nunca deixo de o ler (restrições à gramática).

Mas, em arte, Jesus! Nem se aproveita a cinza.

Como crítico é igual aos outros. Deixa o suco

E, fibra a fibra, toda a bagaceira espinza.

Todo o crítico é assim, mais ou menos, caduco.

Sendo em arte incapaz, na obra alheia é ranzinza.

— O crítico, em geral, é uma espécie de eunuco.