Mãe

By Delminda Silveira de Sousa

Canto primeiro que modula o infante,

nota sublime de bendita esperança,

suspiro meigo de pombinha mansa,

lago sereno a retratar o Céu.

Mãe! quando a tarde desdobrando o véu,

vai sobre a terra derramando encantos,

à doce hora dos enlevos santos,

quando entre aromas a florinha cresce.

Desce à morada das alturas, desce

grata saudade ao coração magoado,

e a tua imagem vem do Céu dourado...

se já na terra não existes meiga.

Tu és o lírio que perfuma a veiga,

a luz mimosa do sorrir d’aurora,

oh! doce imagem que o Universo adora,

bálsamo santo para as chagas d’alma!

Tu és a coroa de virgínea palma,

tu és o aroma qu’embalsama o altar;

o riso meigo que nos prende ao lar,

celeste bênção que o prazer derrama!

Tu és o estro que a minh’alma inflama

Quando a tu’alma em cada flor divisa,

Quando te escuta no gemer da brisa,

E o olhar te adoro no fulgir da estrela!

Oh! desce, desce, carinhosa e bela,

vem da saudade acalentar-me os ais!

— Quero beijar-te em cada flor singela...

já que na terra não existes mais!.