Mães

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Perto do filho, morto à bala, na emboscada

Que lhe fizera, à noite, o filho da Galdina,

Quando descia à praia, a alma martirizada

De Maria soluça e em pranto se amofina.

E, sob a luz do luar, suavíssima e nevada,

Que se estende no mar, na serra e na campina,

Uma sombra torneia as árvores da estrada:

Desce, chorando, a mãe daquela alma assassina.

Uma chora o que vai para a cova sombria;

E a outra, o que desceu às grades da enxovia,

Ambas da mesma dor no sangrento rastilho...

Mas, como mães que são, uma diz soluçando:

— “Maria, que o teu filho aos céus suba cantando”,

A outra, absorta, responde: “E eu perdoo o teu filho!”