Magnólia dos trópicos

By João da Cruz e Sousa

Com as rosas e o luar, os sonhos e as neblinas,

Ó magnólia de luz, cotovia dos mares,

Formaram-te talvez os brancos nenúfares

Da tua carne ideal, de correções felinas.

O teu colo pagão de virgens curvas finas

É o mais imaculado e flóreo dos altares,

Donde eu vejo elevar-se eternamente aos ares

Viáticos de amor e preces diamantinas.

Abre, pois, para mim os teus braços de seda

E do verso através a límpida alameda

Onde há frescura e sombra e sol e murmurejo;

Vem! com a asa de um beijo a boca palpitando,

No alvoroço febril de um pássaro cantando,

Vem dar-me a extrema-unção do teu amor num beijo.