Maio
Alvas de Maio! Alvas de amores,
abrem nos campos mais lindas flores,
abrem violetas nos meus canteiros:
de ouro e rosas um véu qu’esplende
a aurora estende
pelos outeiros.
Rico tesouro de perlas finas
— gemas brilhantes entre boninas,
todo disperso pela verdura:
de cada lírio brilha no meio
do branco seio
lágrima pura.
Dentro do bosque, à sombra grata,
em sonorosos fios de prata
cai dos rochedos a água do monte;
e os passarinhos fogem cantando,
voam, pousando
junto da fonte.
Há tantas rosas, tantos aromas!
Tão florescidas as verdes comas,
nos lindos dias do mês de Maio!
Perlas e flores o Céu derrama
na tenra grama
de verde-gaio!
Mês dos amores, de graça infinda,
Mês consagrado à Virgem linda!
Há no Universo mais expansões;
Abre-se em flores toda a Natura,
há mais ternura
nos corações!
Tardes de Maio! Tardes serenas!
Que doce aroma das açucenas,
do Sol no ocaso à linda hora!
Nas meigas liras cantai, poetas...
as violetas
pendem agora!
Cantai as rosas qu’espalha o vento,
cantai os sonhos que, num momento,
rigor das fadas desfaz também!
Cantai as ondas que suspirosas,
meigas, saudosas,
à praia vêm.
Cantai o aroma que o ar satura,
d’água a corrente serena e pura,
dos passarinhos o doce canto;
deixai a meiga, terna saudade
que o peito invade
com mágoa e encanto!
Ouvi segredos à brisa mansa;
ouvi da rola que a amar não cansa
terno lamento de amor perdido...
Chorai com ela doce passado,
— Sonho doirado —
logo esvaído!
Quanto és formoso, ó mês das rosas,
mês das auroras frescas, mimosas,
das lindas tardes de mor primor!
Mês consagrado à Virgem bela,
dos Céus — Estrela
da terra amor.