Maio

By Delminda Silveira de Sousa

Alvas de Maio! Alvas de amores,

abrem nos campos mais lindas flores,

abrem violetas nos meus canteiros:

de ouro e rosas um véu qu’esplende

a aurora estende

pelos outeiros.

Rico tesouro de perlas finas

— gemas brilhantes entre boninas,

todo disperso pela verdura:

de cada lírio brilha no meio

do branco seio

lágrima pura.

Dentro do bosque, à sombra grata,

em sonorosos fios de prata

cai dos rochedos a água do monte;

e os passarinhos fogem cantando,

voam, pousando

junto da fonte.

Há tantas rosas, tantos aromas!

Tão florescidas as verdes comas,

nos lindos dias do mês de Maio!

Perlas e flores o Céu derrama

na tenra grama

de verde-gaio!

Mês dos amores, de graça infinda,

Mês consagrado à Virgem linda!

Há no Universo mais expansões;

Abre-se em flores toda a Natura,

há mais ternura

nos corações!

Tardes de Maio! Tardes serenas!

Que doce aroma das açucenas,

do Sol no ocaso à linda hora!

Nas meigas liras cantai, poetas...

as violetas

pendem agora!

Cantai as rosas qu’espalha o vento,

cantai os sonhos que, num momento,

rigor das fadas desfaz também!

Cantai as ondas que suspirosas,

meigas, saudosas,

à praia vêm.

Cantai o aroma que o ar satura,

d’água a corrente serena e pura,

dos passarinhos o doce canto;

deixai a meiga, terna saudade

que o peito invade

com mágoa e encanto!

Ouvi segredos à brisa mansa;

ouvi da rola que a amar não cansa

terno lamento de amor perdido...

Chorai com ela doce passado,

— Sonho doirado —

logo esvaído!

Quanto és formoso, ó mês das rosas,

mês das auroras frescas, mimosas,

das lindas tardes de mor primor!

Mês consagrado à Virgem bela,

dos Céus — Estrela

da terra amor.