MANHÃ NA ROÇA

By Gustavo de Paula Teixeira

Como Vênus pisando a espuma de onda em onda,

Deixa a Aurora a fofez do leito de sultana.

O arvoredo farfalha. Em pranto, áurea e redonda,

Se oculta a derradeira estrela há pouco ufana.

Em grupos mugem bois ao longo da savana;

Sobe o fumo da choça; um melro as ares sonda,

No arroio, que por entre as árvores dimana,

Remam gansos, de leve, em silenciosa ronda.

As corujas ferais, em agoureiras levas,

Debatem-se na luz em procura das trevas.

Do rebanho que bale ouve-se a voz morfanha.

E a Aurora, colorindo as nuvens ondulosas,

Desce, lenta, a sorrir, a encosta da montanha,

Com o estema de chama e a túnica de rosas...