Maria Helena

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Nem quatro palmos tem, Maria Helena,

E eu já lhe vejo uma alma de eleição,

Meiga, suave, límpida e serena,

Como a água sagrada do Jordão.

Chama as bonecas, como ao som da avena

Chama a pastora a ovelha, no sertão,

E lhes dá mantos lindos, de açucena,

No aprisco de ouro do seu coração.

Permita todo o céu estrelejado

Que a minha neta veja-me ao seu lado

Ainda algum tempo, embora bem velhinho,

Trêmulas as pernas, trêmulos os passos,

Trêmula a fronte, e ambos os meus braços,

Mas todo ungido pelo seu carinho.