MARINHA

By Gustavo de Paula Teixeira

Asas soltas à luz que os amplos céus alaga,

Voam garças reais de alvinitentes plumas.

A aragem que palpita, acariciando a vaga,

Murmurinha de leve entre frouxéis de espumas.

Arrogantes galeões de velas cor das brumas

Manobram, mar a dentro, em rumo de áurea plaga.

Bóiam conchas de opala e de orlas tírias: umas

De voz mansa de idílio, outras de voz pressaga.

Um mareante senil, que o estranho clima tosta,

Contempla a soluçar, de um penhasco da costa,

Os espúmeos lençóis que a mareta desfralda.

E no ocaso, o diadema em chispas agitando,

Expira o sol, num beijo olímpico arrancando

Aos glaucos vagalhões coriscos de esmeralda...