MEDITANDO

By Delminda Silveira de Sousa

Vejo este mar profundo e majestoso,

Ora sereno, ora embravecido,

Ora lambendo a praia, carinhoso,

Ora a cuspir-lhe a espuma enraivecido.

Ouço-lhe as vagas em feroz bramido,

Ouço-lhe as ondas em rumor queixoso,

E nele vejo o céu d’azul vestido,

Ou da procela o manto lutuoso.

E, vendo-o, cismo, e recolhida, penso:

— Oh, como se assemelha ao mar imenso

Este outro mar a que chamo — vida!

E parece-me ver a Mão divina

Que nos sustenta, nos aponta e ensina

O porto onde a Esperança tem guarida!