Meditando

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Olho as estrelas límpidas do espaço,

De um agasalho de divino manto,

E a todas ergo o meu cansado braço,

Sem poder alcançá-las, entretanto!

E eu clamo, aflito, cheio de cansaço;

Clamo a luz de uma delas, que o meu pranto

Venha enxugar, num lenço branco, em laço,

Em seu amparo piedoso e santo.

Mas nem uma sequer, casta, impoluta;

Nem uma apenas, mística, me escuta;

Nem uma apenas me responde às ânsias.

Por isso fico a meditar na sorte

Que terá a minha alma após a morte,

Quando se achar perdida nas distâncias...