Metamorfose

By João da Cruz e Sousa

O sol em fogo pelo ocaso explode

Nesse estertor, que os crânios assoberba.

Vivo, o clarão, nuns frocos exacerba

Dos ideais a original nevrose.

Da natureza os anafis mouriscos

Ante o cariz da atmosfera muda,

Soam queixosos, numa nota aguda,

Da luz que esvai-se aos derradeiros discos.

O pensamento que flameja e luta

Nos ares rasga aprofundado sulco...

A sombra desce nos lisins da gruta;

E a lua nova — a peregrina Onfale,

Como em um plaustro luminoso, hiulco,

Surge através dos pinheirais do vale.