Meu pai

By Juvêncio de Araújo Figueredo

De cabelos nevados como os montes,

E mão tremente, pálida e enrugada,

Meu pai guiava às cristalinas fontes

De suas vacas mansas a manada.

Ao sol que fulge e aclara os horizontes.

Meu pai fazia retinir a enxada;

E, de olhos bons, espirituais, insontes

Andava às rosas, pela madrugada.

Ah! que hoje, da Mansão da Paz e Gozos,

Viva ele, mais que um rei, pelos ditosos

Campos de tanta sementeira de ouro!

E, assim velhinho, e de cabeça calva,

Ande às rosas de luz da Estrela Dalva,

E nelas colha o melhor tesouro.