Minha infância
Oh! minha doce existência,
minha aurora de inocência
tão cercada de carinhos!
Ai! teus dias se passaram
como rosas que murcharam
deixando somente espinhos!
Sim! foram bem lindas rosas
aquelas horas ditosas
do meu viver d’inocente;
nelas brilhava a alegria,
como a doce luz do dia
nos arrebóis do Oriente.
— Flor abrindo melindrosa
da primavera mimosa
aos beijos primordiais,
se abria o meu coração
à virtude, pela ação
dos carinhos maternais.
Eu era a leda avezinha,
qu’em brando leito se aninha,
ao pôr de um sol quente e belo;
chorava... mas logo ria,
que ao pranto o riso prendia
da inocência o doce elo.
Chorava, sim; mas, ligeira
como a nuvem passageira,
era essa dor infantil.
Logo ao céu da doce vida
assomava a luz querida
mostrando o risonho anil.
Porém finou-se a ventura,
como a flor mimosa e pura
que o vendaval decepou!
E como a quadra das flores,
e como um sonho de amores
a minha infância findou!