Minha infância

By Delminda Silveira de Sousa

Oh! minha doce existência,

minha aurora de inocência

tão cercada de carinhos!

Ai! teus dias se passaram

como rosas que murcharam

deixando somente espinhos!

Sim! foram bem lindas rosas

aquelas horas ditosas

do meu viver d’inocente;

nelas brilhava a alegria,

como a doce luz do dia

nos arrebóis do Oriente.

— Flor abrindo melindrosa

da primavera mimosa

aos beijos primordiais,

se abria o meu coração

à virtude, pela ação

dos carinhos maternais.

Eu era a leda avezinha,

qu’em brando leito se aninha,

ao pôr de um sol quente e belo;

chorava... mas logo ria,

que ao pranto o riso prendia

da inocência o doce elo.

Chorava, sim; mas, ligeira

como a nuvem passageira,

era essa dor infantil.

Logo ao céu da doce vida

assomava a luz querida

mostrando o risonho anil.

Porém finou-se a ventura,

como a flor mimosa e pura

que o vendaval decepou!

E como a quadra das flores,

e como um sonho de amores

a minha infância findou!