Minha saudade

By Delminda Silveira de Sousa

Transmonta o sol, ameiga-se a natura,

suspira a viração doce quebranto,

e no flóreo matiz da brenha escura

desata o sabiá mais terno canto.

Curva a fronte gentil sob a folhagem

a violeta mimosa das campinas,

e o orvalho sutil sobre a ramagem

tomba do Céu em perlas cristalinas.

Já solta a coma d’ouro perfumada

a branca flor do cactus, formosa;

no retiro da mata, abandonada,

geme triste a rolinha suspirosa.

Nas noites serenas, de azul firmamento,

sonhando ao relento meus sonhos de amor,

eu leio o teu nome formado d’estrelas

em letras mais belas que em fino lavor!

Eu sou a florinha que vive isolada,

sem luz, desmaiada, no meio d’espinhos;

teu nome é a réstia de sol, carinhosa,

que a beija amorosa com terno carinho!

Eu leio o teu nome na onda saudosa,

nas pétalas da rosa que o sol aqueceu;

nos ais de meu peito que a mágoa consome,

eu leio o teu nome... na terra e no Céu!