[Minh’alma está]

By João da Cruz e Sousa

Há vultos tamanhos que não

Cabendo no globo, vão quedos

Mas solenes, refugiar-se na campa.

D’aí embuçam-se n’um manto infinito

De glórias?...

Minh’alma está agora penetrando

Lá na etérea plaga, cristalina!

Que música meu Deus febril, divina

Nos páramos azuis vai retumbando!

Além, d’áureo dossel se está rasgando

Custosa, de primor, esmeraldina

Diáfana, sutil, longa cortina

Enquanto céus se vão duplando!

Em grande pedestal marmorizado

De Paiva se divisa o busto enorme

Soberbo como o sol, de luz croado

De um lado o porvir — Anteu disforme

Dos lábios faz soltar pujante brado

Hosanas! não morreu! apenas dorme.