MISSA DO GALO

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Saiu de casa pimpão

Seu Anacleto Possolo,

Com uma garrafa na mão;

E levava a tiracolo

O famoso violão.

Saiu no belo descante,

E deveras que era belo.

Ia alegre, ia chibante

Ouvir missa no Castelo,

Que lá estava a sua amante.

Entrou na venda da esquina,

Temperou a voz no gole,

Gingou a canela fina,

E já vai de passo mole,

Já não canta: desafina.

E tais cousas berra tolo,

Que lhe aparece uma troça;

Num ápice arma-se um rolo,

Ferve o pau, a cousa engrossa,

Vão presos todos num bolo.

Só hoje acabou a festa.

Anacleto está de molho;

Livre um só braço lhe resta,

Trouxe de menos um olho,

E um galo de mais... na testa.