Mistérios

By Delminda Silveira de Sousa

Meiga violeta por que pendes triste

entre as mais flores do jardim virente?

Acaso o orvalho que sedenta hauriste

gelou-te o seio neste amor fervente?!

E o doce aroma que o teu seio encerra,

alma mimosa d’inocente flor,

por que a derramas pela fria terra

qual terno pranto d’inditoso amor?!

Ai! ninguém sabe que mistério fundo

faz que te escondas nesta sombra densa!...

— Talvez a mágoa dum sofrer profundo,

talvez um sonho de mentida crença!

Rola das selvas a gemer sentida,

quem magoou-te o coração tão puro?...

Pobre avezinha! Tua voz dorida

triste perdeu-se num deserto escuro!...

Aves canoras qu’esqueceis os cantos,

lindas boninas que perdeis a cor,

— qual o segredo de pesares tantos?

— qual o mistério de tão agra dor?...

Ai! ninguém sabe por que pende o lírio,

E por que as aves emudecem assim,

Qu’estes segredos de fatais mistérios

só Deus conhece, só nos Céus têm fim!

Ai! ninguém sabe por que morrem flores,

E por que a rola na soidão suspira!

Ai! ninguém sabe por que acerbas dores

Rebentam cordas de mimosa lira!...