Moça raptada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

É meia-noite. Canta o galo no poleiro.

Ouves cantar? Cantou o galo do vizinho.

E, ao raiar da manhã gloriosa, bem cedinho,

Quantas exclamações por esse mundo inteiro!

No entardecer não viste, à sombra do salgueiro,

Perto dum batelão de altas velas de linho,

Um rapaz que possui uns olhos cor de vinho,

Cabelo em caracóis, espigado e trigueiro?

Namora loucamente, ousadamente, a filha

Mais moça do Sabino, e veio ontem da Ilha

Do Arvoredo, na qual viu todo o seu destino...

E, na verdade, quando amanheceu, na vila

Sempre boa e pagã, sempre humilde e tranquila,

Ninguém mais avistou a filha do Sabino.