Mocidade

By João da Cruz e Sousa

Depois a mocidade

Com toda a revoada de mistérios,

Fremente d’ansiedade,

Inundada de cânticos aéreos.

Ai! esta mocidade! Quem é moço

Sente vibrar a febre indefinida

Das ilusões, da cença mais florida,

Na vigorosa artéria de colosso.

Das incertezas nunca mede o poço.

Asas abertas na amplidão da vida,

Páramos adentro, de cabeça erguida,

Vê do futuro o mais alegre esboço.

Chega a velhice, a neve das idades,

E quem foi moço então, lê com saudades

Do azul passado o emocional compêndio.

Ai! esta mocidade palpitante,

Lembra um inseto de ouro, rutilante,

Em derredor das chamas de um incêndio!