MULATINHAS DA BAHIA.

By Gregório de Matos Guerra

Vós dizeis, que arromba arromba:

não se arromba desse modo;

quem o tem apertadinho,

não o quer aberto logo.

Mulatinhas da Bahia,

que toda a noite em bolandas

correis ruas, e quitandas

sempre em perpétua folia,

porque andais nesta porfia,

com quem de vosso amor zomba?

eu logo vos faço tromba,

vós não vos dais por achado,

eu encruzo o meu rapado,

Vós dizeis arromba arromba.

Nenhum propósito tem,

o que dizeis, e o que eu faço,

que eu fujo do vosso laço,

e vós botais fora o trem:

e se eu o cubro tão bem,

e o tenho escondido todo,

de donde tirais o engodo

para arrombar, a quem zomba?

Vós cuidais, que assim se arromba?

Não se arromba desse modo.

É necessário, que eu queira,

e que vos diga, que sim,

que me ponha assim, e assim

a jeito, e em boa maneira:

que descubra a dianteira,

e entregando o passarinho

lho metais devagarzinho,

pois qualquer mulher se sente,

que entre de golpe, mormente

Quem o tem apertadinho.

A mulher fonte de enganos

por melhor aproveitar-se

começa hoje a desonrar-se,

e acaba de hoje a dez anos:

e já quando os desenganos

publicam com desafogo

ser mais quente do que o fogo

não se deixa revolver,

e por mais virgos vender,

Não o quer aberto logo.