Na cruz

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quem pregou nessa cruz esses teus frágeis braços?

Quem te lançou à boca a esponja da tortura?

E sobre o teu anseio a mudez dos espaços?

E diante dos teus pés uma planície escura?

Quem te rasgou do peito, a execrandos lançaços,

Todo esse coração onde a tua alma, pura,

Sonhava a doce paz bendita dos regaços;

Todo o meigo e efluvial clarão de uma ventura?

Ah! quando o fundo olhar nesses tormentos cravo,

De tudo me recordo; e essas tristezas cavo,

Como quem cava o chão frio de um cemitério.

Numa hora de repouso, e de recolhimento,

Eu sei o que é a dor, de momento a momento,

Passando sobre ti no seu carro funéreo.