NA DESPEDIDA DA QUINTA DAS LAPAS
N’esta quinta, onde mora a sã verdade,
A doce paz, a sólida alegria,
E aonde da suavíssima poesia
Vi correr outra vez doirada idade;
Um triste, que partiu para a cidade.
Chorando sobre as letras que escrevia.
No verde tronco de um cipreste abria
Este padrão da sua saudade:
“Enquanto, ó bom marquês, as musas belas
Vão porfiando a qual primeiro tome
De mirto e loiro para vós capelas;
“Este tronco, que o tempo não consome,
Irá erguendo às lúcidas estrelas
A minha gratidão, e o vosso nome.”