NA HORA DA MORTE
Porfirio Chichorro Lessa,
Foi em vida, embarcadiço,
Pouca gente o conheceu;
Mas esta história começa
No dia em que ele morreu,
Ou que esteve para isso.
Sentindo-se moribundo,
Chamou a mulher: — “Camila”
(E preso nos braços seus)
“Eu quero, deixando o mundo,
Morrer na graça de Deus,
Com a consciência tranquila.
Pobres somos, porém graças
Que sempre fomos honrados.
Agora, que morro eu,
Com o que te deixo bem passas,
Aquilo que não for meu
Entrega aos donos, coitados.”
— “Virgem Maria, Porfirio!
Calma essa cabeça tua,
Que já miolo não tem,
Pois se eu te ouvisse o delírio,
Tu verias já, meu bem,
Meus filhos todos na rua”