NA HORA DA MORTE

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Porfirio Chichorro Lessa,

Foi em vida, embarcadiço,

Pouca gente o conheceu;

Mas esta história começa

No dia em que ele morreu,

Ou que esteve para isso.

Sentindo-se moribundo,

Chamou a mulher: — “Camila”

(E preso nos braços seus)

“Eu quero, deixando o mundo,

Morrer na graça de Deus,

Com a consciência tranquila.

Pobres somos, porém graças

Que sempre fomos honrados.

Agora, que morro eu,

Com o que te deixo bem passas,

Aquilo que não for meu

Entrega aos donos, coitados.”

— “Virgem Maria, Porfirio!

Calma essa cabeça tua,

Que já miolo não tem,

Pois se eu te ouvisse o delírio,

Tu verias já, meu bem,

Meus filhos todos na rua”