Na pescaria

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tempo de pescaria. A praia do mar-grosso

É uma concha de prata, à luz suave da tarde

Que, entre sedas em fogo e áureos veludos, arde...

E corre pela praia um bizarro alvoroço.

Já retiradas são do amoroso balouço

As redes dos varais, que o tempo frio encarde.

E ali mais adiante, a lancha Deus te Guarde

Beija as ondas que, então, formam na costa um poço.

Deitados na alva areia, os rudes pescadores

Contam, tranquilamente, os seus sonhos de amores,

E olham, de quando em quando, o sinal do vigia.

E, quando no alto morro o sinal aparece,

Descem todos ao mar e vão colher a messe

Que enche as mesas de paz e límpida alegria.