Na pobreza

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Pelos furos que havia ao correr do telhado

De urna casa de estuque, é que a lua espiava

Para dentro do quarto onde há dias se achava,

Numa cama sem colcha, o meu filho adorado.

E nessa cama pobre, o meu filho, assaltado

De um ataque febril, quase de morte, ansiava...

Nem candeia de azeite uma luz projetava;

Nem vela de vintém, para eu vê-lo, coitado.

E se não fosse o branco e acariciante brilho

Dessa luz piedosa, ó meu querido filho,

Eu, que te via assim ante a minha alma louca,

Nem pudesse levar, talvez, cheio de tédio,

De momento em momento, as gotas de um remédio

À rosa ainda em botão da tua linda boca.