Na soledade

By Delminda Silveira de Sousa

Virgem! Oh! triste Mãe! — a dor incomparável,

que n’alma te vazou o fel das amarguras,

não pode o perceber d’humanas criaturas

ao fundo perscrutar o pélago insondável!

Ele! — O teu Santo Amor, teu Deus, teu filho caro,

pendente de uma Cruz, aflito, angustiado;

depois... agonizante: agora sepultado,

e tu nesta aflição! tu neste desamparo!...

Enquanto dessa Cruz descia o olhar piedoso,

qual bálsamo de amor à tua angústia imensa,

a lança da aflição não ia tão intensa

ferir-te o Coração materno, carinhoso!

Oh! Virgem Dolorosa! — Angélica bonina

qu’entre abrolhos cruéis o seio laceraste,

— que lágrimas de fel tão d’alma derramaste

para um mundo salvar da universal ruína!

Oh! brandos corações das ternas mães aflitas,

Oh! puro e doce amor dos dúlcidos amores,

daquela Dor cruel, qu’excede as outras dores,

dizei-me o delirar, as mágoas infinitas!...

Porém... Oh! Santa Mãe! — da Dor incomparável

que n’alma te vazou o fel das amarguras,

quem poderá dizer as místicas ternuras?...

Quem poderá sondar o pélago insondável?!